Corpete ou espartilho: a diferença que ninguém explica

Confissão n.º 01 do Confessionário da Miss Tabu: corpete ou espartilho

Há palavras que toda a gente usa e ninguém explica. Corpete e espartilho são duas dessas. Vendem-se lado a lado, parecem-se de longe e fazem coisas diferentes ao corpo. Esta é a confissão n.º 01: o que muda, o que pedir e o que fazer com os atacadores.

O corpete

O corpete molda. Tem barbatanas flexíveis, muitas vezes em plástico, que dão estrutura sem apertar a sério. Sustenta o peito, alisa a linha da cintura e veste-se como uma peça de roupa: fecha à frente com colchetes ou atrás com um zíper, e acabou.

É a peça de quem quer a silhueta sem o compromisso. Usa-se uma noite inteira sem pensar nela, e é por isso que é a porta de entrada mais honesta.

O espartilho

O espartilho comprime. Tem barbatanas rígidas, em aço espiralado nas peças a sério, e atacadores atrás que permitem fechar mais ou menos. A cintura pode descer vários centímetros, e isso sente-se: a postura muda, a respiração encurta um bocado, e ao fim de duas horas já sabe que o traz vestido.

É uma peça de ocasião, não de dia inteiro. Quem lhe chama desconfortável está a descrever o que ele faz; quem gosta dele gosta exactamente disso.

E o bustier?

O bustier é o meio-termo educado: um soutien comprido, que desce até à cintura, com pouca ou nenhuma barbatana. Não molda quase nada. Existe para dar continuidade à linha do corpo debaixo de um vestido justo e para se deixar ver quando o vestido é decotado.

Que tamanho pedir

Precisa de duas medidas, com uma fita métrica e sem roupa grossa por baixo:

  • Debaixo do peito, com a fita justa mas sem apertar. Este número, arredondado à dezena de cinco mais próxima, é a banda: 83 cm são 85.
  • No ponto mais largo do peito, com a fita direita e sem comprimir. A diferença entre as duas medidas dá a taça: à volta de 13 cm é B, 15 cm é C, 17 cm é D, e sobe uma letra a cada dois centímetros.

É assim que se chega a um 85B. Nos corpetes e espartilhos vendidos por tamanho de roupa (S, M, L) conta sobretudo a cintura, e a regra da casa é simples: para um espartilho de ocasião, peça a sua medida de cintura menos cinco a dez centímetros; menos do que isso é pose, não é conforto. As tabelas variam de marca para marca — a da peça que está a ver ganha sempre à regra geral.

Como se aperta

Os atacadores não se apertam de cima para baixo. Aperta-se pelas pontas em direcção ao meio, deixando o laço à altura da cintura, e ajusta-se aos poucos: vestir, respirar, apertar mais um pouco. Um espartilho novo agradece três ou quatro utilizações curtas, de meia hora, antes da noite em que conta.

Se ficar com marcas fundas na pele ou se custar a respirar sentado, está apertado a mais. Não é heroísmo, é um número errado.

Como se trata

Lavagem à mão, água fria, sabão neutro. Não se torce e não vai à máquina: as barbatanas deformam-se e não voltam. Seca-se à sombra, estendido, nunca em cima de um radiador. Guardado, fica plano ou pendurado pelas alças — dobrado ao meio, fica com vinco para sempre.

Na prática

Se é a primeira peça, comece pelo corpete: faz oitenta por cento do efeito e não exige aprendizagem. O espartilho é o segundo passo, e aí já sabe o que está a pedir.

As peças estão em Lingerie, e o que se faz com o tamanho quando é para oferecer está na confissão n.º 02.

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